7 de setembro de 2011

Mil Dias em Veneza

Marlena de Blasi

“Afinal, como é que uma pessoa pode se apaixonar por um perfil? Eu não sou só um perfil; sou também coxas, cotovelos e cérebro. Eu sou uma mulher.”

“Se existe alguma coisa, qualquer coisa entre nós dois, o fato de eu ir embora hoje não vai mudar nada.”

“Usei muito dos meus dias para dormir. Um a um, o que mais fiz foi esperar que eles passassem. É bastante comum uma pessoa simplesmente encontrar um lugar seguro para esperar tudo passar. Sempre que eu começava a examinar as coisas, a pensar no que estava sentindo, no que eu queria, nada me tocava, nada importava mais do que as outras coisas. Eu fui preguiçoso. A vida passou e eu fui levando, sempre due passi indietro, sempre dois passos atrás.”

“Você vai sempre estar cheia de lágrimas e migalhas?”

“Eu tenho o choro tão fácil quanto o riso.”

“Grande parte do meu choro é de alegria e assombro, não de dor. O lamento de um trompete, o hálito morno do vento, o som da sineta de uma ovelha errante, a fumaça de uma vela que acabou de se extinguir, a primeira luz da manhã, o crepúsculo, a claridade da lareira. Belezas cotidianas. Eu choro pela embriaguez da vida. E talvez, só um pouquinho, pela rapidez com que ela passa.

“Já me sinto casado com você, como se sempre tivesse sido casado com você, mas não conseguisse encontrá-la. Nem me parece necessário pedi-la em casamento. Parece melhor dizer: por favor, não se perca de novo. Fique perto. Fique bem perto de mim.”

“Parte de mim sabia que nós éramos um time antigo, que nem mesmo um oceano seria capaz de separar.”

“O filho ainda não entendeu que a opção do pai é jamais ficar satisfeito.”

“Ele agora possui uma finíssima camada de consciência de si mesmo e precisa desesperadamente estar no controle. Então que assim seja. Por mais que eu saiba comandar, também sei seguir quando confio em alguém. Mas sei também que o fato de seguir às vezes incomoda.”

“Acho que a maioria de nós tem isso, esse hábito potencialmente destrutivo de manter registros mentais que se acumulam, se distorcem, depois se quebram e se espalham até os confins mais distantes da razão e da consciência.”

“... me perguntando por que, apenas uns poucos centímetros abaixo do amor, sempre paira um leve desejo de vingança.”

“Penso no quão solitário deve ser simplesmente avançar aos trancos e barrancos, segurar-se enquanto a vida o lvea.”

“Acredito no destino, em uma espécie de predestinação fundamental, mas mesclada a uma estratégia pessoal.”

“Feliz... O que é ‘felicidade’? Felicidade é para pedras, não para pessoas. De vez em quando, nossa vida é iluminada por alguma coisa ou por alguém. Vemos um clarão de luz e chamamos isso de ‘felicidade’.”

“Eu havia sido a arquiteta de confiança dos meus próprios sonhos e dos sonhos de outras pessoas.”

“Talvez seja ingenuidade minha, mas tudo isso me convém, essa tendência a domesticação. É a coisa mais antiga que conheço sobre mim mesma, a primeira, na verdade. Tirando a solidão.”

“Eu me amava bem mais como mulher do que agora que sou um fantoche murcho, rendido e submisso.”

“’Mas e toda nossa história? Estamos juntos há quase 30 anos.’ O médico lhe devolveu a questão: ‘E você está pretendendo chegar a 31, é isso? Vai continuar com raiva, usando o tempo como desculpa para se defender do medo e da apatia. De todas as alternativas de defesa, o tempo é a menos criativa.’”

“Algumas pessoas amadurecem, outras apodrecem.”

“Conheço uma mulher que diz que as pessoas só conseguem medir as coisas às três horas da manhã. Segundo ela, se você ama às três horas da manhã, se às três horas das manhã houver alguém na sua cama que você ame pelo menos tanto quanto ama a si próprio, se o seu coração estiver tranqüilo dentro do peito e nem musas nem sombras ocuparem o quarto, isso provavelmente quer dizer que as coisas vão bem. De acordo com o que ela me disse, essa é a hora mais difícil para mentir para si mesmo, às três da manhã.”

“Viver a dois nunca significa que cada um fica com a metade. É preciso se revezar para dar mais do que se recebe. [...] Há épocas na vida de um casal que funcionam, acho, de forma um pouco parecida com uma ronda noturna. Um dos dois fica de guarda, muitas vezes durante um longo tempo, proporcionando a serenidade necessária para o outro fazer alguma coisa. [...] Um dos dois entra na escuridão enquanto o outro fica de fora, segurando a lua no céu.”

“Nós somos a nossa própria felicidade. A festa somos nós: nossa vida não vai mudar muito, independentemente de aonde formos. Lugares diferentes, pessoas diferentes, sempre nós.”

“Sempre quis me sentir em casa, sentir-me importante, amar e ser amada. Queria que a vida fosse romântica, simples e segura. Será que a vida alguma vez é assim?”

1 comento, logo existo!:

D.kallin disse...

como é que uma pessoa pode se apaixonar por um perfil? ...... gostei'